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segunda-feira, 27 de julho de 2009

O Sobrenatural Independente














A América sempre foi bem vinda para receber comunidades imigrantes do velho continente, portanto não é de se surpreender que algumas pessoas vindas da Transilvânia tenham feito morada na terra dos yankees. A começar por Bela Lugosi que personificou o Conde Drácula em 1931, mas sua estrela caiu rapidamente vindo fazer uma ponta em Abbott and Costello Meet Frankenstein (1948) e por alguns anos, talvez por vergonha, o conde sumiu dos filmes estadunidenses, encontrando guarda nos castelos da Hammer na Inglaterra.

Enquanto isso a saga vampiresca era piada nos Estados Unidos, arrastada por sketches na TV e desenhos animados. Uma mudança de nome e uma espécie de renascimento ocorreu com Count Yorga, Vampire (1970), que trouxe os vampiros nos tempos atuais, para longe do gótico inglês da Hammer.

Uma continuação aconteceu (The Return of Count Yorga, 1971), mas o filme mais influente na época foi The Night Stalker (1972), uma produção para a TV onde o repórter Carl Kolchak caça um vampiro nas ruas movimentadas de Las Vegas. Foi suficientemente bem sucedido para ganhar uma sequência (The Night Strangler, 1973) e uma badalada série de TV chamada Kolchak: The Night Stalker exibida entre 1974 e 1975.

Oito episódios de Kolchak foram roteirizados por um talentoso jovem escritor chamado David Chase - futuro criador do mega-hit de TV, A Família Soprano (1999-2007) - no entanto Chase já havia conhecido os filhos da noite: roteirizou uma produção independente chamado Grave of the Vampire (1972), bizarrice que conta a história de um vampiro que estupra uma mulher e nove meses depois dá a luz a um bebê sedento de sangue.

Drácula não passou bons bocados durante a era de ouro do exploitation: mudou de nome para Adrian e mexeu com vodu em Guess What Happened to Count Dracula? (1970), os filhos gays do vampiro mestre têm desejos estranhos em Dragula (1971); a filha de Drácula se casa com o filho do Lobisomem e se muda para a Califórnia no demente Blood (1974, de Andy Milligan, quem mais?) e finalmente os vampiros encontram a discoteca em Nocturna (1979) - com John Carradine fazendo o papel do mestre dos vampiros.

Ainda bem que George Romero parou com a bagunça e desmistificou os seres noturnos em MARTIN (1976). Então chegou os anos 80 e The Hunger (1983), A HORA DO ESPANTO (1985), QUANDO CHEGA A ESCURIDÃO (1987) e GAROTOS PERDIDOS (1987) fizeram a fama pop que já é conhecida.

Então falaremos de almas penadas com raiva: os independentes cineastas também souberam levar uns trocos do "além túmulo". Porém, por suas próprias origens, as histórias de fantasmas precisam ter uma certa "classe", ou um mínimo de elegância para serem para serem levadas a sério, coisa que faltava e muito nos entusiastas do baixo orçamento.

Talvez porque as aparições precisem ter um bom suporte do elenco, os diretores perceberam que não bastava bater portas e fazer ventar dentro da casa. Por seu próprio conceito, para ser mais convincente esta categoria deveria ser mais elaborada que slashers e filmes de tortura.

A despeito de grandes premissas, estes erros podem ser encontrados em The Demons of Ludlow (1983), The Hearse (1980), The House of Seven Corpses (1973), The Evil (1978), Movie House Massacre (1984), Natas: The Reflection (1983) e Let's Scare Jessica To Death (1971).

De todos estes subgêneros citados, nenhum leva o caneco no quesito quantidade quando o tema é ocultismo e satanismo. Depois do sucesso absoluto de O BEBÊ DE ROSEMARY (1968) e do ainda mais famoso O EXORCISTA (1973), uma legião (sem trocadilhos) de produções similares apareceu. A bruxaria está presente em Mark of the Witch (1972), Simon, King of the Witches (1971), Blood Sabbath (1972) e Dark August (1975).


O culto ao demônio no cinema exploitation é uma figura a parte: na maioria dos casos é a desculpa dos pornógrafos para mostrar sexo grupal na tela do cinema, afinal isso envergonha tanto o Protestantismo quanto o Catolicismo e o Judaísmo.

Os 'satanistas' no exploitation são apenas cristãos travestidos, tão fora de escopo quanto as tentativas de se representar o paraíso. As vítimas de sacrifício, por exemplo, são sempre drogadas ou hipnotizadas e quase todos os cultos pagãos são feitos sem erotismo. Apesar dos esforços, a exibição de sexo grupal nestas produções acabou tendo o efeito reverso, afastou a audiência, e foi aplicado poucas vezes.

Com a notória exceção de David Cronenberg, a mescla de sci-fi e horror funcionou muito pouco nos tempos do exploitation. Os filmes de cientista louco eram bobos por ter uma motivação muito fraca do antagonista, vide Flesh Feast (1970), The Brain of Blood (1971), The Possessed! (1974) e Doctor Gore (1972). Outras coisas malucas vieram de Frankenstein Island (1981) e do tresloucado The Corpse Grinders (1971). A grande referência entre os horrores sci-fi no exploitation é EXÉRCITO DO EXTERMÍNIO (1973) de George Romero com destaques para Stigma (1972) e Blue Sunshine (1977).

E não poderíamos fechar o capítulo e deixar de falar um pouco sobre os zumbis. Depois de A NOITE DOS MORTOS VIVOS, o exploitation fez muitos outros filmes de mortos-vivos, porém nenhum se igualou ao mestre. Entre eles temos Messiah of Evil (1973), Children Shouldn't Play With Dead Things (1972) e Garden of the Dead (1972). Na sequência veio DESPERTAR DOS MORTOS e mais cópias entraram no caminho: The Alien Dead (1980), Night of Horror (1981) e The Curse of the Screaming Dead (1982), entre outros. Um raro caso de produção zumbífica pós-Despertar que não deve nada a Romero é Fiend de 1980. Outras nuances criativas ficam para Sole Survivor (1982) e One Dark Night (1983).

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